Curso de Medicina da FOA é avaliado com conceito baixo no Enamed

Punições vão de suspensão de novos alunos, corte em vagas e suspensão do Fies e outros programas federais. Piores notas estão em universidades municipais.

Por Igor Lemos-
4 Min

Jonathan Borba

Mais de 100 cursos de Medicina em todo o país receberam avaliação insatisfatória no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado nesta segunda-feira (19), em Brasília. Ao todo, 107 graduações obtiveram conceitos 1 ou 2 no Enade, considerados os mais baixos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Como consequência, essas instituições sofrerão sanções como restrição ao acesso ao Fies e suspensão ou redução de vagas.

Do total de 351 cursos avaliados, cerca de 30% ficaram na faixa considerada insuficiente. Desses, 24 obtiveram conceito 1, o pior índice, e 83 ficaram com conceito 2.

Entre os cursos mal avaliados estão instituições de diferentes estados, como a Universidade Estácio de Sá (Angra dos Reis – RJ), Universidade Iguaçu (Nova Iguaçu e Itaperuna – RJ), Centro Universitário de Volta Redonda (RJ), Faculdade de Medicina de Campos (RJ), além de unidades da UNINOVE, Anhembi Morumbi, UNISA, UNIPAC, entre outras. Também aparecem na lista cursos de universidades federais, como a UFMA (campus Pinheiro) e a UFPA (campus Altamira), e de instituições particulares em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraíba e Paraná.

Antes da divulgação dos resultados, uma entidade que representa universidades privadas entrou na Justiça para tentar impedir a publicação, mas o pedido foi negado.

O Enamed é uma avaliação anual que mede o desempenho dos estudantes e a qualidade da formação oferecida pelos cursos de Medicina. Nesta edição, participaram cerca de 89 mil alunos, incluindo aproximadamente 39 mil concluintes. Entre esses formandos, apenas 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, considerado satisfatório pelo Inep. Quase 13 mil estudantes não demonstraram conhecimento suficiente na prova.

Diferenças entre tipos de instituições
A análise por categoria de instituição revelou grandes desigualdades. Os piores desempenhos, concentrados nas faixas 1 e 2, foram registrados principalmente em universidades públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nos conceitos mais baixos. As instituições privadas com fins lucrativos também apresentaram resultados fracos, com 58,4% de seus cursos nessas faixas, assim como as chamadas instituições especiais (54,6%). Já as privadas sem fins lucrativos tiveram cerca de um terço de seus cursos com avaliação insuficiente.

Em contraste, os melhores resultados, nas faixas 4 e 5, ficaram concentrados nas universidades públicas federais e estaduais. Entre as federais, 87,6% dos cursos alcançaram os conceitos mais altos; nas estaduais, o índice foi de 84,7%. Instituições comunitárias e confessionais também se destacaram, com quase metade de seus cursos na faixa 4.

Penalidades
De acordo com o Ministério da Educação, os cursos que obtiveram conceito 1 ou 2 estarão sujeitos a punições. Aqueles com conceito 1 terão suspensão total do ingresso de novos alunos. Já os cursos com conceito 2 sofrerão redução de vagas.

O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que, dos 107 cursos mal avaliados, 99 serão efetivamente penalizados, já que instituições estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do MEC.

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(grafico g1.com)

As medidas previstas são:

  • 8 cursos terão o ingresso de novos alunos totalmente suspenso e ficarão fora do Fies e de outros programas federais;

  • 13 cursos deverão reduzir pela metade o número de vagas e também perderão acesso a programas federais;

  • 33 cursos terão redução de 25% das vagas, além de suspensão no Fies;

  • 45 cursos ficarão impedidos de ampliar o número de vagas.

Segundo Camilo Santana, as instituições terão prazo para apresentar defesa. O objetivo das medidas, afirmou o ministro, é garantir a qualidade da formação médica e proteger a população que, no futuro, será atendida por esses profissionais.