Empresário acusado de fraude milionária no Sul Fluminense é preso no Paraguai

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Foto: Reprodução

A prisão de um empresário apontado como responsável por um dos maiores esquemas de fraude já registrados no Sul Fluminense trouxe novo fôlego a investigações que se arrastam há anos e reacendeu a expectativa de vítimas que ainda aguardam ressarcimento. Luiz Guilherme Silva Gonçalves, de 28 anos, foi detido no dia 18 de abril, em Ciudad del Este, no Paraguai, após apresentar comportamento considerado suspeito durante uma abordagem de rotina da polícia local.

A atitude do brasileiro levou agentes paraguaios a verificarem sua identidade, o que resultou na confirmação, junto à Polícia Federal em Foz do Iguaçu, de que ele era procurado pela Justiça do Rio de Janeiro. Contra ele, havia 14 mandados de prisão por estelionato expedidos entre 2025 e 2026. Após procedimentos migratórios, ele foi expulso do Paraguai no dia seguinte e entregue às autoridades brasileiras.

O nome do empresário já era conhecido no Sul Fluminense desde 2021, quando surgiram as primeiras denúncias envolvendo a loja Elgui Store. A empresa atuava principalmente pelas redes sociais e atraía consumidores com ofertas de eletrônicos a preços muito abaixo do mercado. Produtos como celulares, videogames e relógios eram anunciados com condições consideradas vantajosas, o que levava clientes a efetuarem pagamentos antecipados, na maioria das vezes à vista.

No entanto, segundo relatos de vítimas, os prazos de entrega não eram cumpridos e os produtos jamais chegavam. Também não havia devolução dos valores pagos. Estimativas da época apontavam prejuízo superior a R$ 6 milhões, com impacto em cidades como Volta Redonda, Barra Mansa e outros municípios da região.

Entre os consumidores lesados está o comerciante Carlos Henrique, de 58 anos, que afirma ter comprado quatro aparelhos celulares para revenda e nunca recebeu os produtos. “Era uma oportunidade que parecia segura. Fiz o pagamento acreditando que ia receber rápido, mas os dias passaram e nada. Tentei contato várias vezes, mas só recebi promessas. Acabei ficando no prejuízo e ainda tive que explicar para clientes meus”, relatou. Segundo ele, o caso afetou diretamente seu pequeno negócio e gerou desconfiança entre seus próprios compradores.

O avanço das investigações ao longo dos anos enfrentou entraves, principalmente pela dificuldade em localizar o suspeito e identificar bens que pudessem ser usados para ressarcir as vítimas. Advogados que acompanham o caso apontam indícios de ocultação de patrimônio e transferência de valores para terceiros. Uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público chegou a reunir mais de 10 mil páginas, evidenciando a complexidade e a dimensão do esquema.

Em 2024, o empresário chegou a ser localizado em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após ser reconhecido em publicações de uma igreja. Na ocasião, relatos indicavam que ele levava uma rotina aparentemente comum e teria voltado a atuar no comércio de produtos semelhantes aos envolvidos nas denúncias. A reaparição mobilizou novamente vítimas, que passaram a se organizar em grupos para compartilhar informações e cobrar respostas das autoridades.

Com a prisão recente, cresce a expectativa de que o processo criminal avance de forma mais efetiva. Ainda assim, permanecem questionamentos relevantes sobre o destino dos recursos obtidos no esquema, a possível participação de outros envolvidos e as chances concretas de recuperação dos valores perdidos. A Polícia Federal deve dar continuidade às investigações, enquanto a Justiça avalia os próximos desdobramentos do caso.