PF prende deputado eleito e mira rede de combustíveis no Rio
Operação Unha e Carne tem nova fase com mandados em Angra e outras seis cidades
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O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso nesta quinta-feira (15) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação da Polícia Federal apura a utilização de uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro e a possível participação de agentes públicos no esquema.
A nova etapa prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As diligências abrangem Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanha as medidas envolvendo policiais civis investigados.
Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas vinculadas à estrutura investigada. Entre elas estão 96 postos de combustíveis que, segundo a PF, seriam usados para ocultar a origem de recursos ilícitos.
Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos. Os investigadores buscam esclarecer as relações do grupo com agentes públicos e possíveis conexões com organizações criminosas que atuam no estado.
Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro, alcançando a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele havia sido eleito prefeito de Belford Roxo em 2024 e deixou o cargo no início de 2026. Inicialmente, pretendia disputar o Senado, mas acabou concorrendo a deputado estadual.
Em julho, durante a sexta fase da mesma operação, o político já havia sido preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, após a localização de um fuzil em seu carro. Na ocasião, Canella afirmou que a arma não lhe pertencia.
Conforme a participação atribuída a cada investigado, a apuração poderá resultar em responsabilização por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF no combate às organizações criminosas no Rio, em consonância com as diretrizes da ADPF 635, do Supremo Tribunal Federal. As informações apresentadas não detalham as suspeitas individualizadas contra Canella nesta fase. A investigação permanece em andamento.