19/02/2026 às 17h42min - Atualizada em 19/02/2026 às 17h42min

UM ESTRONDOSO TIRO NO MULUNGU DO PÉ

POR TRÁS DO PALANQUE XX

Nas redes sociais, além do desempenho da blogueira Virgínia, que pouco me incomoda ou importa, o assunto em pauta é o rebaixamento da escola de Samba Acadêmicos de Niterói no carnaval carioca. Na coluna “Por Trás do Palanque XVIII” já antecipei que tal fato seria inevitável. Essa “homenagem” ao Presidente Lula, especialmente em ano eleitoral, onde ele concorrerá à reeleição (s.m.j.), era inoportuna, descarada, ilegal, promíscua e ofensiva, e o desfile teve essas mesmas características, porém em tom mais acentuado que o previsto, até para aqueles como eu que jamais esperariam algo cristalino do grupo que comanda a nação nos dias de hoje.

O desempenho da escola não foi patético suficiente apenas para o rebaixamento da agremiação, mas também para garantir a quinta pior avaliação numérica já percebida na apuração do certame nas escolas do grupo especial, muito embora eu jamais tenha assistido apresentação tão tacanha.

A má fé já tinha sido constatada quando se percebeu que na sinopse do enredo apresentada pela escola à LIESA o foco era a história da mãe de Lula, porém ficou claro e evidente que o objetivo final era outro, mais precisamente, através de uma bateria de falácias desconexas, propagar méritos do Presidente candidato à reeleição e achincalhar seus adversários.

A catástrofe ficou ainda mais acentuada quando os incautos, de forma compatível com seus comportamentos, ironizaram instituições sagradas para a maioria do povo brasileiro, como família e fé.

A tentativa da cúpula petista agora é tentar se desvencilhar de responsabilidade sobre essa apresentação jocosa e ridícula, no afã de blindar o Presidente da zombaria, porém a narrativa cai por terra pois, ao vivo, em entrevista à  Rede Globo, imediatamente após o desfile, o próprio ator Paulo Vieira, que fez o papel do “homenageado” na Sapucaí, declarou em alto e bom som que foi “honrosamente” convidado pelo próprio Lula e sua esposa Janja para essa representação, o que atesta  a prévia conivência, responsabilidade e ciência do “primeiro casal” no que aconteceu no domingo de carnaval.

Enfim, nem a oposição esperava um presente tão grande, pois desta feita, Rei Momo foi mais generoso que Papai Noel.

Para finalizar, ressalto que apesar da escola de samba vexatória carregar em seu nome a linda cidade de Niterói, a vencedora também é do mesmo município, pois a Viradouro foi merecidamente campeã do desfile em 2026, através de justa e linda homenagem a alguém que de fato merece ser enaltecido pela sua vida e legado, como o Mestre Ciça.

Olé, olé, olé, olá, Ciçá, Ciçá...

Faz o C!

 

TACADA DE MESTRE

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo estadual, anunciou hoje o nome de Jane Reis como sua pré-candidata a vice-governadora. Apesar de muitos no meio político não entenderem a suposta decisão, pois a indicada não tem histórico eleitoral consistente, a meu ver, Eduardo acertou em cheio.

Há oito anos, quando foi excluído do segundo turno numa eleição com o mesmo propósito, Eduardo entrou em reclusão no exterior e inteligente e sagaz como é, certamente analisou friamente todos os erros cometidos para realizar uma reavaliação precisa para uma futura tentativa.

Com essa decisão, Eduardo ganhou o MDB, (com suas centenas de políticos eleitos no estado), conquistou oficialmente Washington Reis (irmão de Jane), que foi impedido juridicamente de tentar o mesmo cargo, e se expandirá na baixada fluminense, especialmente em Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado, apenas atrás da capital que ele administra com notável competência.

Porém, muito mais do que isso, completou com maestria o perfil de sua chapa, pois como prego há décadas, vice não ganha eleição, mas ajuda a perder. Explico:

O eleitor, vota no candidato cabeça de chapa, e precisamente no número dele. Ele não vota no vice, mas se esse não for de seu agrado, deixa de votar, ou seja, vice não soma votos, mas tira. Vice não agrega valor, rejeição sim. Sendo assim, o ideal para o posto é uma pessoa que complete o perfil do candidato, especialmente nos segmentos onde ele não tem maior penetração e simpatia e que não tenha ônus administrativos, políticos ou morais. Jane é mulher, mãe, advogada, casada com um pastor da Assembleia de Deus, evangélica, assistente social efetiva, e além de ser irmã de Washington (que foi prefeito de Duque de Caxias por três mandatos), do deputado estadual Rosenverg e do deputado federal Gutemberg. Ah, mas ela foi candidata a prefeita de Magé e teve poucos votos? Isso é o que menos importa, pois o que tem que ser observado é se ele tira votos de Eduardo, e isso, se acontecer, será numa escala irrisória e inexpressiva. Quem subtrai votos geralmente é quem os tem, pois a rejeição tende a ser proporcional ao percentual de votação.

Em minha cidade, Barra Mansa, cansei de avisar sobre isso e a história atesta minha tese. Todos os prefeitos vitoriosos nas últimas décadas tiveram vices de nem tão grande expressão, mas que não diminuíram intenções de votos por não terem rejeições quando candidatos. Vejam:

1982 – Luiz Amaral – Vice: Oswaldo Porto.

1988 – Ismael de Souza – Vice: Nilson Carreiro.

1992 – Luiz Amaral – Vice: Cláudio Meirelles.

1996 – Inês Pandeló – Vice: Darquinho.

2000 e 2004 – Roosevelt Brasil – Vice: Arnaldo Borges.

2008 – Zé Renato – Vice: Ruthinha (a única que tinha uma conotação um pouco maior, mas de rejeição muito baixa, além de completar o perfil com excelência).

2012 – Jonas Marins – Vice: Pastor Jorge.

2016 e 2020 – Rodrigo Drable – Vice: Professora Fátima.

2024 – Luiz Furlani – Vice: Luciana Alves.

Reparem que todos os vices vencedores, a despeito de seus inegáveis méritos pessoais, não tinham capilaridade, no momento da respectiva eleição, para disputar com chances potenciais o cargo majoritário, mas formaram duplas bem desenhadas para a formação da chapa, especialmente quando constituíram casais convencionais (homem/mulher), que apesar das “novas tendências”, e sabe Deus onde isso vai parar, ainda é permitido imaginar um casal de uma mulher com homem sem que isso seja criminalizado como homofobia.

No mesmo espaço de tempo foram formadas duplas de fortes líderes da época e, nesses casos, todos perdedores. Vejam alguns exemplos: Cláudio Manes/Leiteiro; José Renato/Peninha; Ademir Melo/Guto e Paula Nader; Marcelo Cabeleireiro/Léo da Regina; Marcello Drable/Ricardo Maciel; Helinho Ribeiro/Sebastião Duque; Moacyr Chiesse/Sebastião Alves; Ismael de Souza/Zé Abel; Féres Nader/Francis Bullos, e isso é apenas o que me ocorre à mente neste momento.

Reitero que não se trata de demérito pessoal de alguém, eis que a política não é necessariamente meritória, mas de análise conceitual sobre cada momento e a estratégia devida para cada caso.

Na tentativa passada (2018) para o governo fluminense, Eduardo tinha como vice Comte Bittencourt com seu respaldo de quatro mandatos como deputado e nem para o segundo turno foi. 

Um sábio não repete o mesmo erro.

 

POR TRÁS DO PALANQUE, NA REAL.

Na minha modesta concepção, o Governador Cláudio Castro e o Prefeito Eduardo Paes agem na máxima consonância e cumplicidade possível, dentro dos limites que suas filiações partidárias e acordos políticos permitem, o que considero extremamente salutar. 

Nosso estado precisa ficar isento de revanchismos materiais a despeito de qualquer resultado na eleição presidencial.

Torcida fanática só é concebível quando se trata de paixão de futebol, mesmo assim com limites. 

Política eficiente e gestão competente se faz com estratégia, equilíbrio, bom senso e inteligência. 

Fanatismo é doença, que infelizmente, contagia.

 

EM PAZ COM PAES.

Escrevendo os textos acima me lembrei de uma passagem que tive com Eduardo Paes há 20 anos. No início de 2006, ele era deputado federal pelo PSDB. Márcio Fortes, líder do partido e amigo de minha cidade, nos surpreendeu afirmando que o partido lançaria um candidato ao governo do estado e que Dudu era o nome ideal. Para estreitar aliança, convidou um grupo barra-mansense para visitá-lo num pequeno espaço na Urca, Rio de Janeiro. Fomos então, eu, Ademir Melo, Ricardo Maciel, Márcio Fortes e se não me falha a memória, Sávio Franco, assessor principal de Fortes e que hoje é assessor de extrema importância no governo carioca de Eduardo. Assim que chegamos ao local, recebidos com todo o carinho por Paes, todos enalteciam as virtudes do pré-candidato e manifestaram esperanças de vitória. Eu, discretamente, preferi me manter em silêncio. Ao sentarmos na mesa da cozinha para tomarmos um café preparado pelo anfitrião, percebi ele me olhando surpreso e incomodado com minha suposta timidez e recato, até que travamos o seguinte diálogo:

Eduardo: “Júlio, é esse seu nome, né? E você, o que acha?”

Eu: “Acho de quê, deputado?”

Eduardo: “Ora, da minha candidatura?”

Eu: “Candidatura a quê, deputado?”

Eduardo: “Pelo amor de Deus, ao governo do estado, não é essa a nossa pauta aqui hoje?”

Eu: “Sinceramente, não vejo chance alguma de vitória”.

(Após levar um leve chute amigo na canela por debaixo da mesa, rsrsrs, a conversa continuou)...

Eduardo: “Amigo, eu aprecio muito pessoas sinceras, e não me sinto ofendido, mas se você acha isso, o que está fazendo aqui?”

Eu: “Deputado, vejo um futuro brilhante para Vossa Excelência, que é jovem, carismático, determinado e competente, mas não a curto prazo para esse alto degrau. Creio que essa eleição será decidida no segundo turno entre Sérgio Cabral e Denise Frossard e você pode ter de 3 a 5% de votos no primeiro turno que serão fundamentais para a decisão no segundo. Se souber jogar, poderá ajudar de forma consistente a decidir a eleição pelo lado que escolher e isso lhe garantirá um fundamental apoio para ser o próximo prefeito do Rio de Janeiro, que também é seu sonho, e mais provável de acontecer em menor espaço de tempo”.

Evidentemente que as “águias” ao entorno mudaram estrategicamente o assunto e deixaram o constrangimento só para mim, rsrsr, mas valeu a pena, pois de fato, Eduardo teve 5% dos votos(5,33% para ser exato – 5º lugar), Sérgio e Denise foram para o segundo turno, Eduardo apoiou o vencedor (Cabral) e isso foi fundamental para que a gratidão do governador o nomeasse como secretário estadual de turismo, abrindo as portas para ele vir a ser prefeito eleito do Rio de Janeiro na eleição seguinte, conforme previ com muita antecedência e sorte de acertar.

Há poucas semanas encontrei com Eduardo Paes numa solenidade na Câmara de Volta Redonda, relembramos o assunto e ele brincou ao meu ouvido: “Você foi o único que falou a verdade!”. Rimos muito, e também falei ao pé do ouvido dele: “Então vou te falar outra: Nessa agora você leva no primeiro turno!”. Depois do abraço, tiramos a foto abaixo.

Expressar minhas opiniões sinceras, sejam certas ou erradas, pois humano sou, me custa caríssimo preço por isso (até com risco de privação parcial de liberdade) pois o poder do ódio pinça e tira de contexto pontos estratégicos para macular quem os incomoda.

Apesar de tudo, vida que segue e Deus tem missão para cada um.

 

Júlio Esteves é Gestor Financeiro e atual Secretário Municipal de Relações Institucionais e Governança Corporativa da Prefeitura de Barra Mansa.

 

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