A Secretaria Municipal de Saúde de Barra Mansa, por meio do Programa de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, realizou na manhã desta sexta-feira (28), o 4º Fórum Intersetorial de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. O encontro aconteceu no auditório do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e reuniu profissionais da rede municipal.
Com o tema “Patologização da Infância e a Medicalização da Vida”, o encontro foi conduzido pela médica psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), Amanda Freire, e pela psicanalista, professora da UFRRJ e vice-coordenadora do curso de Psicologia da universidade, Rosane Melo.
Durante o encontro, Amanda destacou que o objetivo da discussão não é questionar a importância da medicação nos casos em que há indicação clínica, mas refletir sobre o excesso de diagnósticos e a transformação de comportamentos próprios da infância em transtornos.
- Existem os transtornos psiquiátricos e a medicação tem seu papel fundamental em determinadas situações. O que preocupa é o excesso de patologização de comportamentos que, às vezes, não são propriamente um transtorno. É preciso entender o que faz parte do desenvolvimento da criança e que deve ser cuidado de outra forma, e não necessariamente com medicalização - explicou.
Rosane Melo abordou os processos de medicalização e patologização a partir de uma perspectiva mais ampla, envolvendo saúde, educação e políticas públicas. Segundo ela, o aumento dos diagnósticos psiquiátricos entre crianças e adolescentes precisa ser analisado de forma crítica.
- A gente precisa indicar que o discurso médico não pode ser o discurso hegemônico sobre a infância. Temos contribuições da psicologia, da pedagogia, da filosofia, da sociologia e da antropologia que apontam outras formas de compreender e lidar com a criança - afirmou.
Para a supervisora do Programa de Saúde Mental de Barra Mansa, Maria Elvira da Cunha, a retomada dos fóruns representa uma conquista para o município, especialmente após a interrupção dos encontros durante a pandemia.
- Esses espaços de discussão são fundamentais para a construção de políticas públicas, para a clínica, para o mapeamento e para a intersetorialidade. Isso é muito peculiar da Reforma Psiquiátrica, porque o cuidado no território é fundamental - destacou.
Maria Elvira ressaltou ainda que, embora o fórum tenha como foco a infância, a medicalização da vida é uma questão que atravessa diferentes faixas etárias. “Às vezes, se a criança não se comporta como o esperado pela sociedade, ela acaba sendo medicalizada. É sobre essa inversão que a gente quer conversar”, concluiu.