Anunciar o Evangelho não é uma atividade opcional ou passageira da Igreja. É sua missão permanente, pois faz parte da própria identidade que recebeu do Senhor Jesus. Ele mesmo nos confiou essa tarefa: “Ide, portanto, e fazei discípulos entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20). São Marcos reforça: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15-16).
Essa ordem de Jesus não envelhece. Pelo contrário, renova-se em cada tempo, em cada geração, em cada comunidade. O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, nos recorda constantemente que a Igreja deve ser “em saída”, não fechada em si mesma, mas aberta, missionária, ousada, capaz de ir ao encontro das pessoas onde elas estão.
Neste Ano Santo de 2025, cujo tema é “Peregrinos da Esperança”, a Igreja nos convida a olhar para a nossa caminhada de fé como um peregrinar histórico: desde os apóstolos até nós, a missão sempre foi anunciar a Boa Nova de Jesus. Mas também somos chamados a reconhecer que, ao longo do tempo, muitas vezes houve sinais de enfraquecimento dessa missão.
Um exemplo disso está em certas práticas pastorais vividas de forma superficial. Quantos pais procuram a Igreja para o batismo de seus filhos mais por obrigação cultural ou social do que pela consciência do compromisso que assumem? Não são raras as vezes em que encontramos pais que não sabem fazer o sinal da cruz ou rezar as orações básicas da fé cristã. Como transmitir a fé se o coração está vazio? Como ensinar os valores cristãos se não os vivemos? É como querer oferecer água em um copo seco.
Outro exemplo doloroso está no universo da catequese. Muitas crianças, após três anos de preparação, fazem a Primeira Comunhão em meio a uma grande festa, mas, infelizmente, para muitas, essa se torna também a última comunhão. Após entrarem pela porta principal da Igreja, logo saem pelos fundos, sem continuidade na caminhada de fé. Isso entristece, mas também nos provoca a repensar nossas práticas pastorais.
Por isso, o mês de outubro - Mês Missionário - é uma oportunidade providencial para refletirmos. A missão não é apenas “ir longe”, mas começar de dentro, no coração de nossas comunidades, famílias e paróquias. É preciso anunciar Jesus Cristo com coragem, alegria e proximidade.
Precisamos urgentemente de uma Igreja que priorize a missão, que coloque no centro a partilha da Boa Nova, porque somente o Evangelho pode transformar o mundo em um lugar mais humano, justo e fraterno.
Que Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, nos inspire com sua espiritualidade simples e profunda, e interceda por nós nessa imensa tarefa que temos pela frente.
Ser missionário não é uma opção: é viver a essência da Igreja. Somos todos chamados a ser peregrinos da esperança, anunciadores da vida nova que Cristo nos oferece.