23/11/2025 às 09h02min - Atualizada em 23/11/2025 às 09h02min

JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO – O VERDADEIRO E ÚNICO REI

Pe Clésio Alves Vieira

Pe Clésio Alves Vieira

Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário em Quatis

A festa de Cristo Rei do Universo, celebrada em 23 de novembro, pode gerar equívocos quando se imagina Jesus segundo os moldes dos reis deste mundo, revestido de poder e triunfo. Essa visão distorce sua verdadeira identidade: o amor e a misericórdia oferecidos a toda a humanidade, com predileção pelos pobres e excluídos. Jesus não corresponde ao rei-messias esperado pelos judeus, nem a qualquer modelo de poder humano; ao contrário, é o servo que veio para servir.


A solenidade de Cristo Rei é relativamente recente, instituída em 1925 pelo Papa Pio XI, em meio ao avanço de regimes totalitários como fascismo, socialismo soviético e o nascente nazismo. Diante da busca de poderes absolutos, a Igreja proclamou Cristo Rei como advertência aos que pretendiam dominar o mundo. Seu Reino, porém, não substitui poderes terrestres, mas propõe uma transformação radical: relações baseadas no amor, paz, justiça e fraternidade.

 

O evangelho de Lc 23,35-43 apresenta a realeza de Jesus no contexto da cruz, no Gólgota, lugar de execuções romanas. Ele é alvo de zombaria dos chefes religiosos e políticos, cuja atitude se assemelha às tentações do diabo, pois exigem demonstrações de força. O aparente fracasso de Jesus contrasta com sua missão: salvar os outros, restaurar vidas e promover a dignidade humana.

 

Os soldados romanos também o insultam, oferecendo-lhe vinagre, símbolo de negação do amor.

 

Consideram-no um subversivo político, reforçando a acusação expressa no letreiro “Rei dos Judeus”, usado pelo império para intimidar futuros rebeldes. Para eles, é inconcebível um rei que não age em benefício próprio.

 

Dois malfeitores são crucificados com Jesus, apresentados por Lucas como criminosos perigosos. Um deles repete as ofensas dos demais, mas o outro reconhece sua própria culpa e a inocência de Jesus, tornando-se exemplo de conversão. Ele se dirige a Jesus pelo nome, gesto de intimidade, e lhe pede: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Ao reconhecê-lo como rei de um reino diferente, esse malfeitor torna-se o único defensor de Jesus no calvário. 
 

Jesus responde prometendo-lhe: “Hoje estarás comigo no paraíso”, expressão única nos evangelhos. Paraíso, originalmente “jardim”, remete ao projeto de vida abundante da criação. Lucas destaca que a salvação acontece no “hoje” da história, como nos episódios do nascimento de Jesus, da sinagoga de Nazaré e da conversão de Zaqueu.

 

A realeza de Jesus manifesta-se na cruz, no ápice da humilhação, razão pela qual muitos não a reconhecem. Somente os pobres, pecadores e humilhados demonstram abertura para acolhê-la. Ainda hoje, interpretações triunfalistas obscurecem essa verdade, insistindo em um Cristo Rei incompatível com aquele que preferiu salvar um pecador condenado a salvar a si mesmo.

 

Pe. Clésio Alves Vieira 

FESTA DE CRISTO REI 2025

 

Leia Também »