16/10/2025 às 22h35min - Atualizada em 16/10/2025 às 22h35min

O que você come, come você

Dr. Fernando Nader

Dr. Fernando Nader

Fernando Nader é médico, que tem entre suas formações, geriatria e neurologia.

Hoje o assunto é sobre comida — mas calma, não é pra te deixar com fome, é pra te deixar pensativo (e talvez um pouquinho culpado também).

 

Sabe aquele ditado “a gente é o que a gente come”?

Pois é… se for verdade, tem gente por aí vivendo de pastel de feira, miojo, coxinha e energético.

 

Mas calma, não é julgamento — é constatação.

A verdade é que a maioria de nós aprendeu a comer errado. E nem foi por mal, foi por costume.

 

A gente nasceu com as papilas gustativas cruas, purinhas, prontas pra descobrir o sabor da natureza — o doce da fruta, o sal da vida, o tempero da horta.

Mas aí veio a infância e, junto com ela, o adestramento alimentar.

Aprendemos que “comida boa” é a que vem no pacote colorido, que “prêmio” é doce, e que “castigo” é salada.

Pronto: paladar viciado, corpo confuso e uma indústria rindo da nossa cara.

 

Lá atrás, nossos pais e avós viviam outro drama.

Não era fast-food, era fast-fome.

A comida era simples, mas nem sempre equilibrada. O que se comia era o que tinha, não o que fazia bem.

E o corpo, coitado, se acostumou. O costume virou cultura e a cultura virou desculpa.

 

Hoje, a gente vive o oposto: fartura demais, nutrição de menos.

Tem prato cheio e célula vazia.

Gente comendo muito, mas se nutrindo pouco.

Aí o corpo inflama, a mente reclama e o intestino vira um campo de guerra.

 

E o mais irônico: enquanto o corpo grita “me dá comida de verdade!”, o povo corre pra farmácia comprar cápsula milagrosa, detox em pó e remédio que promete “ajustar o metabolismo”.

Meu amigo… se o problema começou no garfo, não é o comprimido que vai resolver.

 

O desafio agora é reeducar o paladar da alma.

Voltar pro simples, pro fresco, pro natural.

Aprender a gostar de comida que não precisa de propaganda, nem de rótulo com 50 ingredientes que você não consegue pronunciar.

 

Atençao Brasil: o futuro da saúde não tá nas farmácias — tá nas escolhas. 

Porque, no fim das contas, a comida que você ensina seu corpo a amar é a mesma que vai ensinar como você vai envelhecer.

E, se continuar assim, tem gente que se chegar aos 70, será com a alma temperada a corante e conservante.

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